Tipos de Transtornos da Ansiedade

Embora todas as manifestações de ansiedade patológica tenham em comum o medo, a ansiedade se manifesta de diferentes formas, com efeitos diferentes e em situações distintas. Desta forma dentro dos problemas ligados a ansiedade se distinguem seis transtornos diferentes.

Entender suas diferenças e características permite uma melhor compreensão de como eles funcionam e quais as melhores técnicas e procedimentos utilizar para seu tratamento, desta forma sendo mais eficaz e possibilitando uma recuperação mais rápida.

Vamos conhecer melhor cada um destes transtornos então.

Fobia Específica

É o medo de um estímulo ou situação específica, como por exemplo: aviões, elevadores, água, certos animais, etc.

Sua crença é a de que a coisa é de fato perigosa em si mesma (o avião pode cair, o cachorro morder, etc.) Cerca de 12% das pessoas tem fobia específica, embora um número muito maior possa ter medos determinados em torno de um ou mais estímulos.

Transtorno de Pânico

É o medo de suas próprias reações fisiológicas e psicológicas a um estimulo (em essência, medo de um ataque de pânico). Quaisquer anormalidades, tais como respiração alterada ou batimentos cardíacos acelerados, vertigens, suores ou tremores são vistos como sinais de um colapso iminente, insanidade ou morte.

A Evitação que acompanha as situações que podem ocasionar essas reações é conhecida como Agorafobia (ou medo de lugares púbicos) e com frequência limita de maneira grave a mobilidade. Cerca de 3% das pessoas tem esse transtorno, que em geral vem acompanhado de depressão.

Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)

A pessoa tem pensamentos recorrentes, ou imagens (obsessões) que considera estressantes, por exemplo: pensar que está sendo contaminada, perdendo o controle, cometendo um erro ou se comportando de maneira inadequada. Há uma necessidade urgente de realizar certas ações (compulsões) que neutralizarão estas imagens, como lavar-se, realizar rituais, fazer verificações constantes, etc.

O transtorno em geral leva à depressão e afeta cerca de 3% da população

Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

Essa é essencialmente uma tendência a se preocupar continuamente com um monte de coisas. Os pensamentos se voltam para a imaginação de todas as possíveis consequências negativas e de maneiras de impedi-las.

O Transtorno muitas vezes é acompanhado por sintomas físicos de estresse como insônia, tensão muscular, problemas gastrointestinais, etc. Cerca de 9% das pessoas tem esse transtorno.

Transtorno de Ansiedade Social ou Fobia Social

Medo de ser julgado pelos outros, especialmente em situações sociais. Essas situações incluem apresentações, festas, encontros, comer em locais públicos, usar banheiros públicos ou simplesmente encontrar novas pessoas.

Os sintomas incluem tensão extrema ou “paralisia”, preocupação obsessiva com interações sociais e uma tendência ao isolamento e a solidão. O transtorno é frequentemente acompanhado pelo uso de drogas ou álcool. Cerca de 14% das pessoas tem esse transtorno de alguma forma.

Transtorno de estresse pós-traumático

Esse transtorno envolve o medo excessivo causado por exposição anterior a uma ameaça ou danos. Traumas comuns são o estupro, a violência física, sequestros, acidentes graves, e exposição à guerra.

As pessoas que sofrem deste transtorno frequentemente reexperimentam seus traumas sob a forma de pesadelos ou flashbacks e evitam situações que tragam lembranças perturbadoras. Elas podem exibir irritabilidade, tensão e hipervigilância. O álcool e o abuso de drogas entre pessoas que sofrem são muito comuns, assim como são os sentimentos de depressão e falta de esperança.

Cerca de 14% das pessoas sofrem deste transtorno.

Apesar das diferenças entre eles, a boa notícia é que todos podem ser tratados e com o método certo é possível superar essas dificuldades e obter uma boa qualidade de vida. Com a terapia Cognitivo Comportamental, que é a terapia mais indicada para o tratamento dos transtornos de ansiedade atualmente, é possível a melhoria do quadro de forma natural, sem medicações.

Fonte: Livre de Ansiedade. Robert Leahy. Ed Artmed

Você sabe o que é a Psicologia Positiva?

Você já ouviu falar em psicologia positiva? Sabe o que ela é e para que serve? Conheça um pouco mais sobre esta nova modalidade da psicologia que vem ganhando força e relevância nos últimos anos.

Desde a 2ª guerra mundial o foco da psicologia tem sido curar e reparar danos. Este foco fez com que se olhasse pouco para os aspectos positivos que também são parte das pessoas e das comunidades.
Embora alguns pesquisadores isolados tenham buscado entender e estudar as potencialidades humanas, somente a partir do início do século XXI é que o estudo das qualidades humanas passa a ser feito de forma organizada e sistemática.

O termo psicologia positiva surgiu pela primeira vez em 1954 no livro Motivation and Personality de Maslow, onde ale afirmava que o potencial humano ainda não havia sido compreendido completamente. Afirmava ainda que a psicologia havia tido muito mais sucesso em compreender o lado humano negativo que o positivo e que isto revelava muito sobre as deficiências, as doenças e os pecados do homem, mas pouco sobre suas potencialidades, suas virtudes e suas aspirações. É como se a psicologia tivesse voluntariamente se limitado a apenas metade de sua jurisdição legítima, a parte mais escura e fraca.

O que é a Psicologia Positiva

Há aproximadamente 20 anos um grupo de psicólogos pesquisadores iniciou um movimento em prol do “estudo científico do que faz a vida ser digna de ser vivida”. Este movimento ganhou o nome de psicologia positiva.
Este termo pode ser entendido como um temo guarda-chuva para o estudo das emoções, das características individuais e das instituições positivas centrado na prevenção e na promoção da saúde mental.
O principal interesse da psicologia positiva é ter um entendimento científico sobre as forças e vivências humanas com foco na felicidade e nas possíveis intervenções no sentido de aliviar as dores e incrementar o bem-estar subjetivo.
De acordo com Seligman e Csikszentmihalyi, a psicologia positiva possui três áreas de investigação científica, a saber:
No nível subjetivo o interesse concentra-se nos estudos das experiências subjetivas de valor, bem-estar subjetivo e satisfação de vida, otimismo, esperança e felicidade.
No nível individual busca compreender os traços positivos ligados as características e ao funcionamento de cada pessoa, como capacidade para o amor, talentos, habilidades interpessoais, generosidade, perdão e sabedoria.
No nível grupal são analisadas as virtudes cívicas e as instituições que contribuem para que os indivíduos se tornem cidadãos melhores, com foco no altruísmo, tolerância e ética no trabalho.

Aplicações da Psicologia Positiva

Uma vez que um dos objetivos principais da psicologia positiva é promover o potencial e o bem-estar humano, pode-se entender que ela pode ser aplicada por meio de intervenções em diversos campos como:

  • Clínico
  • Nas escolas
  • Nas Organizações

Em todos esses campos o papel da intervenção positiva é auxiliar o indivíduo a construir uma vida prazerosa, engajada e com sentido.

 

Fonte: Avaliação em Psicologia Positiva. Cláudio Simon Hutz. Ed. Artmed

Depressão na antiguidade

Apesar de ser bastante comum hoje em dia, atingindo 10% da população, a depressão não é uma doença nova. Ao contrário, desde muito antigamente existem relatos de sua ocorrência.

Depressão na antiguidade

A primeira pessoa a descrever a depressão na história foi Hipócrates, médico grego considerado o pai de medicina, no século IV a.C. Naquela época Hipócrates desenvolveu um sistema que buscava explicar a ocorrência de diversas doenças por meio de fluidos corporais, que ele nomeou como fleuma, sangue, bile e bile negra; com seus respectivos humores, a saber: sanguíneo, colérico, fleumático e melancólico. Aliás até pouco tempo atrás, melancolia era a palavra utilizada para descrever os estados depressivos.

No século III a.c. Aristóteles também faz referência à melancolia, associando sua ocorrência a criação artística, se referindo ao brilhantismo, inspiração e realização dos melancólicos.

No século II a.c. o médico Aretaeus descreve o paciente melancólico como alguém “triste, consternado, insone[fusion_builder_container hundred_percent=”yes” overflow=”visible”][fusion_builder_row][fusion_builder_column type=”1_1″ background_position=”left top” background_color=”” border_size=”” border_color=”” border_style=”solid” spacing=”yes” background_image=”” background_repeat=”no-repeat” padding=”” margin_top=”0px” margin_bottom=”0px” class=”” id=”” animation_type=”” animation_speed=”0.3″ animation_direction=”left” hide_on_mobile=”no” center_content=”no” min_height=”none”][…] eles emagrecem por causa de sua agitação e perda do sono reparador[…] Em idade mais avançada, queixam-se de milhares de futilidades e desejam a morte.” Também nesta época Plutarco oferece outra descrição vívida da melancolia: “Ele vê a si mesmo como alguém que os deuses odeiam e perseguem com sua raiva. Um mal muito pior o aguarda; ele não ousa tentar evitar ou remediar tal mal, por medo de encontrar-se lutando contra os deuses. O médico e o amigo consolador são afastados…”

Depressão na idade média

depressao-na-antiguidadeDurante a idade média a melancolia passa também a ser nomeada como Acídia, em referência a apatia, preguiça, indiferença e enfraquecimento característicos do quadro. Assume características de pecado, o que não contribui para sua aceitação ou tratamento adequado.

Apenas em 1680 surge pela primeira vez o termo depressão para designar um estado de desanimo ou perda de interesse.

Apenas a partir do século XIX com o aperfeiçoamento da psiquiatria e da psicologia o termo depressão passa a ser mais amplamente utilizado e substitui a palavra melancolia. São também desta época as primeiras propostas de tratamento modernas, porém com resultados ainda duvidosos.

E hoje?

Durante o século passado com os avanços das pesquisas e da compreensão das características e mecanismos da depressão foi possível o desenvolvimento de tratamentos mais eficientes, seja a partir do surgimento de medicações mais eficazes para o tratamento dos sintomas da depressão, seja pelo desenvolvimento de terapias estruturadas para buscar lidar com as causas da depressão, como a Terapia Cognitivo-Comportamental, que hoje é o tratamento de eleição para a depressão, devido a seus diversos resultados comprovados por pesquisas em vários países.

Diferentemente do passado, onde a depressão era uma condição crônica, com evolução e desfechos negativos, hoje ela é uma doença tratável, com resultados promissores e uma vez sob controle permite o aproveitamento de uma vida com qualidade e plena.

 

Fonte: Depressão:Causas e Tratamento. Aaron T. Beck. Ed. Artmed

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Como saber se alguém que eu gosto está com depressão?

Embora a depressão seja o transtorno mental mais comum na sociedade, sua compreensão ainda é limitada, o que faz com que ainda seja, mesmo hoje, de difícil detecção, mesmo nos consultórios médicos e psicológicos. Muitos de seus sintomas são tratados de forma isolada, não permitindo que um diagnóstico adequado e o tratamento correto sejam utilizados prontamente.

Em muitos casos podem se passar meses ou até anos para que a pessoa encontre ajuda adequada, que possibilite a sua recuperação e a capacidade de retomar sua vida.

Desta forma, como podemos fazer para identificar e ajudar as pessoas de que gostamos?

Como o sinal mais conhecido e característico da depressão é a tristeza e o desânimo, temos a tendência de somente reparar nesta característica específica. Mas você sabia que a depressão pode se manifestar muito antes das pessoas ficarem tristes?

Naquelas situações em que não há um fato aparente ou mais marcante que desencadeie a depressão ( como uma perda,  uma decepção ou evento traumático) é comum que outros sintomas da depressão se manifestem antes da tristeza. Quando prestamos atenção nestes sinais é possível intervir precocemente, evitando maiores prejuízos e possibilitando uma recuperação mais rápida e fácil.

Mas que sinais ou indicativos seriam estes?

Inicialmente a depressão pode se manifestar como mudanças na forma de reagir a situações habituais, demonstrando maior agressividade, irritação ou falta de paciência. Podem também surgir uma sensação constante de cansaço que não melhora com sono ou descanso. Além disto começa a aparecer também um desinteresse por hábitos ou situações que anteriormente despertavam alegria, motivação e prazer.

A pessoa começa a mudar a forma como se comporta ou reage a diversas situações da vida, embora muitas vezes isto não seja notado ou percebido por ela. As pessoas próximas reparam mas não conseguem entender muito bem, atribuindo estas mudanças a algo passageiro ou a fatores externos como trabalho, problemas, etc.

Para facilitar esta identificação listamos abaixo afirmações ou frases comuns em pessoas com sintomas de depressão:

  • Me sinto infeliz
  • Estou sem esperança
  • Estou desesperado
  • Estou preocupado com tudo
  • Não tenho mais objetivos
  • Não me importo com o que vai acontecer
  • Não vejo mais sentido em viver

Além disto, relatos ou referências a sensações físicas também podem dar dicas de que a pessoa está com depressão,  como:

  • Estou sempre cansado
  • Sinto o corpo ou a cabeça pesados
  • Estou sem energia
  • Está sempre sem fome
  • Dores localizadas ou generalizadas sem causa aparente
  • Descuido com a aparência ou com a higiene

Caso você identifique estes sinais, busque ajuda e orientação especializados, pois depressão possui tratamento e a recuperação é possível.

Causas da depressão

Embora exista um número imenso de pesquisas sobre a depressão e suas causas, ainda não existe consenso ou certeza sobre todos os mecanismos ou fatores envolvidos no desenvolvimento de um quadro depressivo. Apesar disto, diversas teorias buscam explicar o porquê ocorre a depressão. Assim como em outros transtornos mentais, existe consenso de que nenhum fator isolado ou único explica o surgimento e a manutenção de um transtorno psiquiátrico.

E noção mais aceita hoje em dia é a de que a depressão é um transtorno biopsicossocial, ou seja, que possui aspectos biológicos, psicológicos e sociais e que seu desenvolvimento e ocorrência dependem da interação entre estes fatores.

Por aspectos biológicos poderíamos citar alterações nos neurotransmissores ( que são hormônios do cérebro) observados em diversos estudos, e que explicam o mecanismo e funcionamento das medicações antidepressivas.
Nos quadros de depressão os neurotransmissores encontram-se alterados, contribuindo para os estados depressivos. Diversos estudos demonstraram a ocorrência aumentada de depressão entre familiares, apontando para uma possível predisposição genética para a depressão.

Já entre os fatores psicológicos estão as experiências de vida, crenças, comportamentos e vulnerabilidades pessoais, que contribuem para a percepção e vivencia das experiências de forma mais difícil e sofrida do que já são.

E finalmente entre os aspectos sociais podemos destacar ambientes, pessoas e contextos que podem agir como facilitadores ou protetores para o surgimento da depressão. Fatos como desemprego, perdas, etc. podem contribuir significativamente para o estabelecimento de um quadro depressivo.

Sob a ótica da Terapia Cognitiva, entendemos que estes fatores se inter-relacionam de forma a que situações de vida (fatores ambientais) geram stress, que atua sobre uma predisposição genética e uma vulnerabilidade psicológica fazendo com que desta interação surja o contexto desencadeador da depressão.

A partir desta inter-relação, ocorrem a ativação de crenças negativas que contribuem para uma visão negativa de si mesmo, das pessoas, do mundo e do futuro, gerando mudanças cognitivas, emocionais e fisiológicas que atuam como reforçadores do quadro depressivo.

A combinação destes diversos fatores ajuda a explicar o porquê certas pessoas conseguem passar por determinadas situações sem que entrem em depressão e outras acabem por desenvolver este problema.

 

Fonte: Depressão: Causas e Tratamento. Aaron T. Beck. Ed. Artmed

Tratamento para o stress

Como já publicamos em outro post neste blog, quadros graves de stress, com seus sintomas tão prejudiciais à saúde necessitam de tratamento adequado para sua remissão.

Mas de que formas podemos tratar o stress?

Uma das formas de tratamento para stress que demonstra melhores resultados é a terapia cognitivo-comportamental, que se utiliza de metodologia pesquisada e diversas técnicas com efeito comprovado para o enfrentamento, modificação e diminuição do stress.

Características de um tratamento cognitivo-comportamental para o Estresse

Psicoeducação: Educação sobre o que é stress, suas características, sintomas, causas e consequências.

Avaliação e identificação dos fatores desencadeadores do stress: Estes fatores são específicos para cada caso e podem ter origem tanto em motivos externos quanto em fatores internos.

Identificação de Pensamentos e crenças desencadeadoras do stress: Descoberta dos padrões de pensamento e das crenças pessoais geradoras ou intensificadoras das situações de stress.

Reestruturação cognitiva: Para modificação dos pensamentos e crenças citados acima

Técnicas de relaxamento: para diminuição dos efeitos do stress

Técnicas de resolução de Problemas: para auxiliar na resolução das situações geradoras do stress

Técnicas de respiração: propiciando auxilio na ansiedade e na tensão característicos do stress

Modificação de hábitos de vida: alimentação, esportes, sono.

 

Terapia ou Medicação?

Embora em casos mais graves de stress seja necessário um tratamento conjunto entre a terapia e médicos, uma vez que muitos dos sintomas e doenças desencadeados pelo estresse necessitam de atenção médica (como a diabetes, hipertensão, problemas cardíacos, etc.) ainda não existe medicação para o stress.

Portanto o tratamento adequado para stress necessariamente envolve uma mudança nos hábitos de vida e na forma como enfrentamos e lidamos com as situações, mudança que é facilitada pelo trabalho da terapia, onde um profissional especializado pode ajudar em todos os passos desta mudança.

Diversos fatores emocionais e de nossa história de vida interferem contribuindo para a vulnerabilidade ao stress e portanto o auxílio de um profissional traz mudanças mais rápidas e efetivas, contribuindo para uma melhor habilidade de enfrentar as diversas demandas e necessidades que a vida nos traz.

 

Fonte: Psicoterapias- Abordagens Atuais. Aristides V. Cordioli. Ed. Artmed

Stress – Do que estamos falando?

O que é Stress

Stress ou estresse (na versão em português), possui várias definições diferentes, e todas podem nos auxiliar a entender melhor esta característica da vida, que pode se tornar um problema grave de saúde.

Segundo Lipp, a palavra stress já era utilizada no século XVII para referir-se a situações de opressão e adversidade. A partir do século XVIII aproveitando-se de conceitos da física, o termo stress passa a se popularizar e ser utilizado para expressar a ação de uma força, pressão ou influencia muito forte sobre uma pessoa, causando-lhe uma deformação, como ocorre quando colocamos um peso muito grande sobre uma viga, fazendo com que este se dobre.

Podemos notar que esta noção de stress continua sendo utilizada até hoje, pois sempre que nos sentimos sobrecarregados, sob muita pressão ou carregando um peso muito grande, dizemos que estamos estressados.

Sob a ótica da saúde, podemos definir stress (ou estresse) como sendo um mecanismo natural, de reação psicofisiológica, com finalidade de sobrevivência, que nos prepara para enfrentar desafios e nos adaptar a mudanças em nossas vidas e em nosso mundo.  Para Selye stress é uma reação não específica, resultante de qualquer demanda colocada no organismo, seja o efeito mental, ou o efeito físico.

Resumindo

A definição que melhor resume o que significa stress é dada por Lipp, que define stress como: “uma reação do organismo com componentes físicos, psicológicos, mentais e hormonais gerada pela necessidade de lidar com algo que, naquele momento, ameace a estabilidade mental ou física da pessoa.

Desta forma podemos perceber que cada fase da vida possui as suas dificuldades e particularidades as quais necessitamos lidar e nos adaptar, fazendo com que experiências e transtornos desencadeados pelo stress possam ser encontrados em todas as idades, casses sociais, sexo, etc.

Devido as exigências e inconstâncias de nosso dia a dia, a incidência de stress na população vem aumentando muito, sendo que pesquisas recentes têm apontado uma incidência de stress em 35% da população em geral.

Fonte:  Psicoterapias- Abordagens Atuais. Aristides V. Cordioli. Ed. Artmed
                   Relacionamentos Interpessoais no sec. XXI e o stress emocional. Marilda Lipp. Ed Sinopsys

Assista também a este vídeo sobre o tema

Quais são os sintomas do stress?

Quem consegue imaginar em nossa vida atual quem não saiba o que é stress, não é mesmo? O pioneiro nas pesquisas sobre stress, Hans Selye dizia que só quem está morto não tem stress. Afinal o stress é parte inerente da vida, e o que é necessário é aprender a lidar de forma mais eficaz com os desafios bons e ruins que a vida nos traz.

Porem viver sob o efeito do stress pode trazer diversos perigos e prejuízos para a saúde, tanto física quanto mental e emocional. Desta forma se torna importante saber identificar os sintomas e efeitos do stress, para que possamos buscar o mais breve possível, formas de amenizar estes efeitos, com vistas a um melhor aproveitamento de nosso potencial e de nossas vidas.

Embora alguns sintomas do stress sejam mais conhecidos e portanto mais fáceis de associar com o stress, como por exemplo: mãos suadas, respiração rápida, taquicardia, tensão muscular e dores no estomago; bem como reações de irritação ou de raiva ( que normalmente levam os outros a afirmar que determinada pessoa encontra-se estressada). Porém existem diversos outros sintomas menos conhecidos e tão importantes quanto, que nos ajudam a perceber quando o stress se tornou um problema.

Importante notar que devido à sua complexidade e ocorrência, não podemos falar em stress como um fenômeno único, estanque, que se apresenta sempre da mesma forma; ao contrário o melhor é entendermos o stress como um processo que acorre e que vai se agravando com o tempo.

Marilda Lipp, renomada pesquisadora sobre o stress propôs um modelo de 4 fases para o stress, com gravidade progressiva e sintomas distintos ocorrendo em cada fase, a saber: Alerta, Resistencia, Quase exaustão e Exaustão.

Fase de Alerta do Stress

Nesta fase a pessoa produz muita adrenalina e fica em um estado de prontidão para lidar com a situação que precisa enfrentar. Podemos dizer que esta é a fase boa do stress, que nos permite lidar com as dificuldades e superá-las. São sintomas desta fase:

  • Dificuldades para dormir em função da adrenalina.
  • Libido alta, muita energia.
  • Grande produtividade e criatividade, podendo varar a noite sem dificuldades.
  • Tensão muscular.
  • Falta de fome.
  • Humor eufórico, com grande disposição, porém podendo aparecer grande irritabilidade.

Se os motivos que levaram ao stress permanecerem por muito tempo, ou forem substituídos por outros novos, passamos então para uma nova fase no stress.

Fase de Resistência do Stress

Nesta fase a pessoa tenta se adaptar à situação, buscando reestabelecer seu equilíbrio interno. À medida que se vai conseguindo isto, alguns dos sintomas anteriores desaparecem. Porém para se conseguir isto o corpo se utiliza de energia que seria utilizada para outras funções, fazendo com que possam ocorrer os seguintes sintomas:

  • O sono é normalizado.
  • A libido diminui, causando pouco interesse por sexo.
  • A produtividade e a criatividade voltam ao padrão normal, porem as vezes pode não se conseguir ter novas ideias.
  • Sensação de cansaço físico, mesmo dormindo bem.
  • Memória começa a falhar.
  • Sensação de se estar doente, mesmo sem nenhuma doença aparente.
  • Pensa-se somente nos problemas questão causando stress, repete sempre os mesmos assuntos.

À medida que o stress continua a aumentar, com o agravamento do quadro, passamos então o uma nova fase.

Fase de Quase Exaustão do Stress

Nesta fase a tensão ultrapassa o limite que a pessoa é capaz de suportar, fazendo com que a resistência física e mental comece a diminuir. Alterna momentos de maior clareza de pensamentos, animo e produtividade, (porém isto é feito com esforço) com momentos de total desconforto e ansiedade. Doenças começam a surgir. Nesta fase é comum:

  • Insônia, ou acorda muito cedo e não consegue mais voltar a dormir.
  • Perda do interesse em sexo.
  • Perda de produtividade e da criatividade, quando é possível apenas da conta da rotina.
  • Sensação de desgaste e cansaço constantes.
  • Prejuízo importante da memória, mesmo para pequenas coisas do dia a dia.
  • Surgem diversas doenças oportunistas ou em função do desgaste do organismo.
  • Sensação constante de ansiedade ou de depressão.
  • Perda de interesse pelas coisas, isolamento social, acha tudo sem graça.

Se ainda assim o processo do stress continuar sem tratamento ou atenção progride então para o último estágio.

Fase de Exaustão do Stress

Esta é a fase mais negativa do stress, momento de maior desequilíbrio, manifestado pelos seguintes sintomas:

  • Dorme muito pouco. Acorda muito cedo. O sono não descansa ou revigora mais.
  • Perda completa de interesse pelo sexo. A libido desaparece quase completamente
  • Não é mais capaz de trabalhar normalmente. Não consegue produzir ou se concentrar, nem tomar decisões.
  • Podem aparecem doenças graves como úlceras, pressão alta, diabetes, enfarte, doenças de pele, etc.
  • Humor deprimido
  • Perda de interesse pela vida
  • Desanimo e em algumas pessoas vontade de morrer.

Caso não seja tratado o stress é altamente incapacitante, e em casos mais graves pode levar inclusive à morte. Nestes casos o melhor é buscar ajuda médica e psicológica para lidar com a situação e conseguir reverter o processo o quanto antes.

 

Fonte: Relacionamentos Interpessoais no sec. XXI e o Stress Emocional. Marilda Lipp. Ed. Sinopsys

Veja no vídeo abaixo alguns exemplos destes sintomas.

Depressão tem cura?

Depressão tem cura? Constantemente ouço esta pergunta de pacientes, familiares ou mesmo de outras pessoas que sabem que atuo na área da saúde mental. Esta é uma dúvida muito frequente e para respondê-la é necessário que antes entendamos o que significa curar.

De acordo com o dicionário de língua portuguesa Houaiss, podemos entender cura como sendo: (1) o reestabelecimento da saúde, (2) um estado de melhora, remédio, solução, (3) correção de um defeito ou problemas de comportamento.

A partir destas definições podemos entender que se conseguirmos fazer os sintomas da depressão desaparecerem conseguimos curar a depressão. Porém não é tão simples assim.

Existem depressões que ocorrem como uma reação a fatos ou situações difíceis, e que uma vez tratadas a pessoa pode voltar a viver sua vida e não mais apresentar nenhum episódio de depressão. Porém as estatísticas demonstram que de todas as pessoas que apresentam um episódio de depressão, 50% terão um novo episódio em algum momento da vida. As pesquisas também demonstram que quanto mais episódios de depressão alguém tem, maiores as chances de ocorrer uma recaída.

Portanto é necessário ter em mente que a depressão também pode se tornar uma doença crônica, e como tal não tem cura. Isto significa que não há o que fazer então? Claro que não. Assim como em outras doenças crônicas como diabetes, hipertensão, etc. é possível ter uma vida normal e de qualidade, desde que se tome alguns cuidados.

É de fundamental importância para uma plena recuperação da depressão, ou nos casos mais graves para a manutenção de um estado de saúde, com qualidade de vida, o tratamento do quadro depressivo, que deve ser feito principalmente através da terapia, onde poderemos atuar nas causas da depressão, diminuindo ou eliminando seus sintomas.

Resumindo então, quando falamos em cura da depressão estamos falando de um tratamento que permita a pessoa viver com qualidade e satisfação sua vida, ainda que exista uma vulnerabilidade que necessite de atenção e acompanhamento para evitar o retorno do quadro depressivo.

O que é depressão?

Falar sobre depressão se tornou lugar comum em nossa sociedade e frequentemente encontramos pessoas afirmando que fulano está deprimido, ou então elas mesmas. Porém o que significa realmente depressão? afinal, o que é depressão?

Usos do termo depressão

O termo depressão possui muitos significados em nossa língua. Etimologicamente, o termo depressão deriva do latim “deprimire” e significa pressionar para baixo. Comumente utilizamos este termo para nos referir a uma piora do humor, na forma de tristeza, algo que é absolutamente normal em todas as pessoas, e que todos experimentaremos na vida. Porém esta experiência é bem diferente do que é de fato ter a doença chamada depressão.

Além disto, a piora do humor e outros sintomas associados podem aparecer em outras situações de vida, como por exemplo doenças graves, mudanças importantes ou outros quadros de doenças mentais, sendo que nestas situações são sintomas de um outro quadro de saúde, e não o transtorno de humor chamado depressão.

Depressão também é utilizado para se referir ao Transtorno Depressivo Maior, um tipo específico de transtorno de humor, que é o tipo de transtorno mental que mais afetas as pessoas no mundo.

O que é depressão?

Apesar da importância dada ao componente do humor (tristeza) quando falamos de pressão, esta é apenas uma parte do quadro muito mais complexo e sério que compões a depressão, podendo inclusive não aparecer em suas fases iniciais, ou não ser a principal queixa da pessoa com depressão. Inicialmente pode se configurar como uma diminuição ou perda de prazer ou de interesse por hábitos ou situações que antes eram vivenciadas com prazer.

O transtorno depressivo, ou depressão é um quadro complexo, composto por alterações no humor, nos pensamentos, na motivação e também por alterações físicas, devendo ocorrer por pelo menos 2 semanas e provocando alterações e ou prejuízos no funcionamento anterior.

Hoje é consenso que as seguintes alterações são características do quadro depressivo, sendo que não necessariamente precisem ocorrer todas:

  • Alteração específica do humor: tristeza, solidão, apatia, etc.
  • Autocrítica negativa associada a recriminação e autoacusações
  • Desejos regressivos e autopunitivos: desejo de fugir, esconder-se, morrer.
  • Alterações vegetativas: perda de apetite, insônia, perda de libido.
  • Alteração no nível de atividade: retardo psicomotor ou agitação.

Importante também lembrar que estes sintomas não devem estar sendo provocados por outro quadro clínico, como por exemplo o hipotireoidismo, ou pelo uso de outras substancias psicoativas como remédios ou drogas.

Se você se identificou com este quadro ou tem se sentido desta forma, busque ajuda especializada, pois comprovadamente quem busca tratamento se recupera mais rápido, recuperando a capacidade de aproveitar a vida.

 

Fonte: Depressão – Causas e Tratamento. Aaron T. Beck. Ed Artmed
                  Depressão: Teoria e Clínica. João Quevedo. Artmed