Tratamento para o stress

Como já publicamos em outro post neste blog, quadros graves de stress, com seus sintomas tão prejudiciais à saúde necessitam de tratamento adequado para sua remissão.

Mas de que formas podemos tratar o stress?

Uma das formas de tratamento para stress que demonstra melhores resultados é a terapia cognitivo-comportamental, que se utiliza de metodologia pesquisada e diversas técnicas com efeito comprovado para o enfrentamento, modificação e diminuição do stress.

Características de um tratamento cognitivo-comportamental para o Estresse

Psicoeducação: Educação sobre o que é stress, suas características, sintomas, causas e consequências.

Avaliação e identificação dos fatores desencadeadores do stress: Estes fatores são específicos para cada caso e podem ter origem tanto em motivos externos quanto em fatores internos.

Identificação de Pensamentos e crenças desencadeadoras do stress: Descoberta dos padrões de pensamento e das crenças pessoais geradoras ou intensificadoras das situações de stress.

Reestruturação cognitiva: Para modificação dos pensamentos e crenças citados acima

Técnicas de relaxamento: para diminuição dos efeitos do stress

Técnicas de resolução de Problemas: para auxiliar na resolução das situações geradoras do stress

Técnicas de respiração: propiciando auxilio na ansiedade e na tensão característicos do stress

Modificação de hábitos de vida: alimentação, esportes, sono.

 

Terapia ou Medicação?

Embora em casos mais graves de stress seja necessário um tratamento conjunto entre a terapia e médicos, uma vez que muitos dos sintomas e doenças desencadeados pelo estresse necessitam de atenção médica (como a diabetes, hipertensão, problemas cardíacos, etc.) ainda não existe medicação para o stress.

Portanto o tratamento adequado para stress necessariamente envolve uma mudança nos hábitos de vida e na forma como enfrentamos e lidamos com as situações, mudança que é facilitada pelo trabalho da terapia, onde um profissional especializado pode ajudar em todos os passos desta mudança.

Diversos fatores emocionais e de nossa história de vida interferem contribuindo para a vulnerabilidade ao stress e portanto o auxílio de um profissional traz mudanças mais rápidas e efetivas, contribuindo para uma melhor habilidade de enfrentar as diversas demandas e necessidades que a vida nos traz.

 

Fonte: Psicoterapias- Abordagens Atuais. Aristides V. Cordioli. Ed. Artmed

Stress – Do que estamos falando?

O que é Stress

Stress ou estresse (na versão em português), possui várias definições diferentes, e todas podem nos auxiliar a entender melhor esta característica da vida, que pode se tornar um problema grave de saúde.

Segundo Lipp, a palavra stress já era utilizada no século XVII para referir-se a situações de opressão e adversidade. A partir do século XVIII aproveitando-se de conceitos da física, o termo stress passa a se popularizar e ser utilizado para expressar a ação de uma força, pressão ou influencia muito forte sobre uma pessoa, causando-lhe uma deformação, como ocorre quando colocamos um peso muito grande sobre uma viga, fazendo com que este se dobre.

Podemos notar que esta noção de stress continua sendo utilizada até hoje, pois sempre que nos sentimos sobrecarregados, sob muita pressão ou carregando um peso muito grande, dizemos que estamos estressados.

Sob a ótica da saúde, podemos definir stress (ou estresse) como sendo um mecanismo natural, de reação psicofisiológica, com finalidade de sobrevivência, que nos prepara para enfrentar desafios e nos adaptar a mudanças em nossas vidas e em nosso mundo.  Para Selye stress é uma reação não específica, resultante de qualquer demanda colocada no organismo, seja o efeito mental, ou o efeito físico.

Resumindo

A definição que melhor resume o que significa stress é dada por Lipp, que define stress como: “uma reação do organismo com componentes físicos, psicológicos, mentais e hormonais gerada pela necessidade de lidar com algo que, naquele momento, ameace a estabilidade mental ou física da pessoa.

Desta forma podemos perceber que cada fase da vida possui as suas dificuldades e particularidades as quais necessitamos lidar e nos adaptar, fazendo com que experiências e transtornos desencadeados pelo stress possam ser encontrados em todas as idades, casses sociais, sexo, etc.

Devido as exigências e inconstâncias de nosso dia a dia, a incidência de stress na população vem aumentando muito, sendo que pesquisas recentes têm apontado uma incidência de stress em 35% da população em geral.

Fonte:  Psicoterapias- Abordagens Atuais. Aristides V. Cordioli. Ed. Artmed
                   Relacionamentos Interpessoais no sec. XXI e o stress emocional. Marilda Lipp. Ed Sinopsys

Assista também a este vídeo sobre o tema

Quais são os sintomas do stress?

Quem consegue imaginar em nossa vida atual quem não saiba o que é stress, não é mesmo? O pioneiro nas pesquisas sobre stress, Hans Selye dizia que só quem está morto não tem stress. Afinal o stress é parte inerente da vida, e o que é necessário é aprender a lidar de forma mais eficaz com os desafios bons e ruins que a vida nos traz.

Porem viver sob o efeito do stress pode trazer diversos perigos e prejuízos para a saúde, tanto física quanto mental e emocional. Desta forma se torna importante saber identificar os sintomas e efeitos do stress, para que possamos buscar o mais breve possível, formas de amenizar estes efeitos, com vistas a um melhor aproveitamento de nosso potencial e de nossas vidas.

Embora alguns sintomas do stress sejam mais conhecidos e portanto mais fáceis de associar com o stress, como por exemplo: mãos suadas, respiração rápida, taquicardia, tensão muscular e dores no estomago; bem como reações de irritação ou de raiva ( que normalmente levam os outros a afirmar que determinada pessoa encontra-se estressada). Porém existem diversos outros sintomas menos conhecidos e tão importantes quanto, que nos ajudam a perceber quando o stress se tornou um problema.

Importante notar que devido à sua complexidade e ocorrência, não podemos falar em stress como um fenômeno único, estanque, que se apresenta sempre da mesma forma; ao contrário o melhor é entendermos o stress como um processo que acorre e que vai se agravando com o tempo.

Marilda Lipp, renomada pesquisadora sobre o stress propôs um modelo de 4 fases para o stress, com gravidade progressiva e sintomas distintos ocorrendo em cada fase, a saber: Alerta, Resistencia, Quase exaustão e Exaustão.

Fase de Alerta do Stress

Nesta fase a pessoa produz muita adrenalina e fica em um estado de prontidão para lidar com a situação que precisa enfrentar. Podemos dizer que esta é a fase boa do stress, que nos permite lidar com as dificuldades e superá-las. São sintomas desta fase:

  • Dificuldades para dormir em função da adrenalina.
  • Libido alta, muita energia.
  • Grande produtividade e criatividade, podendo varar a noite sem dificuldades.
  • Tensão muscular.
  • Falta de fome.
  • Humor eufórico, com grande disposição, porém podendo aparecer grande irritabilidade.

Se os motivos que levaram ao stress permanecerem por muito tempo, ou forem substituídos por outros novos, passamos então para uma nova fase no stress.

Fase de Resistência do Stress

Nesta fase a pessoa tenta se adaptar à situação, buscando reestabelecer seu equilíbrio interno. À medida que se vai conseguindo isto, alguns dos sintomas anteriores desaparecem. Porém para se conseguir isto o corpo se utiliza de energia que seria utilizada para outras funções, fazendo com que possam ocorrer os seguintes sintomas:

  • O sono é normalizado.
  • A libido diminui, causando pouco interesse por sexo.
  • A produtividade e a criatividade voltam ao padrão normal, porem as vezes pode não se conseguir ter novas ideias.
  • Sensação de cansaço físico, mesmo dormindo bem.
  • Memória começa a falhar.
  • Sensação de se estar doente, mesmo sem nenhuma doença aparente.
  • Pensa-se somente nos problemas questão causando stress, repete sempre os mesmos assuntos.

À medida que o stress continua a aumentar, com o agravamento do quadro, passamos então o uma nova fase.

Fase de Quase Exaustão do Stress

Nesta fase a tensão ultrapassa o limite que a pessoa é capaz de suportar, fazendo com que a resistência física e mental comece a diminuir. Alterna momentos de maior clareza de pensamentos, animo e produtividade, (porém isto é feito com esforço) com momentos de total desconforto e ansiedade. Doenças começam a surgir. Nesta fase é comum:

  • Insônia, ou acorda muito cedo e não consegue mais voltar a dormir.
  • Perda do interesse em sexo.
  • Perda de produtividade e da criatividade, quando é possível apenas da conta da rotina.
  • Sensação de desgaste e cansaço constantes.
  • Prejuízo importante da memória, mesmo para pequenas coisas do dia a dia.
  • Surgem diversas doenças oportunistas ou em função do desgaste do organismo.
  • Sensação constante de ansiedade ou de depressão.
  • Perda de interesse pelas coisas, isolamento social, acha tudo sem graça.

Se ainda assim o processo do stress continuar sem tratamento ou atenção progride então para o último estágio.

Fase de Exaustão do Stress

Esta é a fase mais negativa do stress, momento de maior desequilíbrio, manifestado pelos seguintes sintomas:

  • Dorme muito pouco. Acorda muito cedo. O sono não descansa ou revigora mais.
  • Perda completa de interesse pelo sexo. A libido desaparece quase completamente
  • Não é mais capaz de trabalhar normalmente. Não consegue produzir ou se concentrar, nem tomar decisões.
  • Podem aparecem doenças graves como úlceras, pressão alta, diabetes, enfarte, doenças de pele, etc.
  • Humor deprimido
  • Perda de interesse pela vida
  • Desanimo e em algumas pessoas vontade de morrer.

Caso não seja tratado o stress é altamente incapacitante, e em casos mais graves pode levar inclusive à morte. Nestes casos o melhor é buscar ajuda médica e psicológica para lidar com a situação e conseguir reverter o processo o quanto antes.

 

Fonte: Relacionamentos Interpessoais no sec. XXI e o Stress Emocional. Marilda Lipp. Ed. Sinopsys

Veja no vídeo abaixo alguns exemplos destes sintomas.