Apesar de ser bastante comum hoje em dia, atingindo 10% da população, a depressão não é uma doença nova. Ao contrário, desde muito antigamente existem relatos de sua ocorrência.

Depressão na antiguidade

A primeira pessoa a descrever a depressão na história foi Hipócrates, médico grego considerado o pai de medicina, no século IV a.C. Naquela época Hipócrates desenvolveu um sistema que buscava explicar a ocorrência de diversas doenças por meio de fluidos corporais, que ele nomeou como fleuma, sangue, bile e bile negra; com seus respectivos humores, a saber: sanguíneo, colérico, fleumático e melancólico. Aliás até pouco tempo atrás, melancolia era a palavra utilizada para descrever os estados depressivos.

No século III a.c. Aristóteles também faz referência à melancolia, associando sua ocorrência a criação artística, se referindo ao brilhantismo, inspiração e realização dos melancólicos.

No século II a.c. o médico Aretaeus descreve o paciente melancólico como alguém “triste, consternado, insone[…] eles emagrecem por causa de sua agitação e perda do sono reparador[…] Em idade mais avançada, queixam-se de milhares de futilidades e desejam a morte.” Também nesta época Plutarco oferece outra descrição vívida da melancolia: “Ele vê a si mesmo como alguém que os deuses odeiam e perseguem com sua raiva. Um mal muito pior o aguarda; ele não ousa tentar evitar ou remediar tal mal, por medo de encontrar-se lutando contra os deuses. O médico e o amigo consolador são afastados…”

Depressão na idade média

depressao-na-antiguidadeDurante a idade média a melancolia passa também a ser nomeada como Acídia, em referência a apatia, preguiça, indiferença e enfraquecimento característicos do quadro. Assume características de pecado, o que não contribui para sua aceitação ou tratamento adequado.

Apenas em 1680 surge pela primeira vez o termo depressão para designar um estado de desanimo ou perda de interesse.

Apenas a partir do século XIX com o aperfeiçoamento da psiquiatria e da psicologia o termo depressão passa a ser mais amplamente utilizado e substitui a palavra melancolia. São também desta época as primeiras propostas de tratamento modernas, porém com resultados ainda duvidosos.

E hoje?

Durante o século passado com os avanços das pesquisas e da compreensão das características e mecanismos da depressão foi possível o desenvolvimento de tratamentos mais eficientes, seja a partir do surgimento de medicações mais eficazes para o tratamento dos sintomas da depressão, seja pelo desenvolvimento de terapias estruturadas para buscar lidar com as causas da depressão, como a Terapia Cognitivo-Comportamental, que hoje é o tratamento de eleição para a depressão, devido a seus diversos resultados comprovados por pesquisas em vários países.

Diferentemente do passado, onde a depressão era uma condição crônica, com evolução e desfechos negativos, hoje ela é uma doença tratável, com resultados promissores e uma vez sob controle permite o aproveitamento de uma vida com qualidade e plena.

 

Fonte: Depressão:Causas e Tratamento. Aaron T. Beck. Ed. Artmed