Você sabia que não existe apenas um tipo de depressão? É isso mesmo, embora normalmente se fale em depressão como uma única doença, a depressão reúne um conjunto de quadros que possuem diferenças importantes entre si. A seguir, conheça mais sobre os diferentes tipos de depressão que existem.

Transtorno Depressivo maior

É o tipo ou forma mais comum de depressão, aquela que normalmente nos referimos quando falamos sobre a doença. Tem como característica a presença de ao menos cinco destes sintomas, sendo que um dos dois primeiros obrigatoriamente: humor depressivo, diminuição acentuada do interesse ou do prazer, alteração de peso ou do apetite, insônia ou hipersônia, agitação psicomotora ou retardo, cansaço ou falta de energia, sentir-se sem valor, culpa excessiva, dificuldade para pensar ou concentrar-se, pensamentos sobre morte ou ideação suicida.

Transtorno Depressivo Atípico

Nesta forma de depressão, a capacidade de sentir prazer está parcialmente preservada. Isto quer dizer que a pessoa reage de forma positiva a situações agradáveis, mas por pouco tempo. Se apresenta com muita sonolência, com aumento do apetite, o que leva a ganhos de peso. As pessoas com esta forma de depressão relatam ter grande sensibilidade a críticas e a rejeição.

Transtorno Distímico (Distimia)

É uma forma leve de depressão com apenas alguns sintomas presentes. Porém é crônica e costuma acompanhar a pessoa por diversos anos, pois é de difícil percepção e diagnóstico. Pelo menos dois dos seguintes sintomas devem estar presentes, além do humor depressivo:

  • Alteração do apetite ou do sono
  • Pouca energia ou cansaço
  • Baixa autoestima
  • Dificuldade de concentração
  • Sentimento de desesperança

Também é muito comum a irritação, sendo a característica mais marcante do quadro. Tanto que na sua origem, distimia quer dizer mal humor.

Transtorno afetivo sazonal

Este é um tipo de depressão mais específico dos países próximos aos polos, onde o inverno dura muito tempo e ocorrem longos períodos de pouca luz, pois os dias são curtos e as noites muito longas. Estes períodos prolongados de pouca luz solar geram quadros depressivos importantes, porém que melhoram quando tratados com fototerapia (terapia com Luz).

Depressão na gestação e Pós-Parto

Tanto a gravidez quanto o puerpério (período pós-natal) são em geral momentos associados a alegria. Porém para muitas mulheres a gravidez e a maternidade podem ser um período de maior vulnerabilidade a transtornos psiquiátricos, como por exemplo a depressão. Neste período é mais difícil diagnosticar adequadamente a depressão, devido a mudanças hormonais e fisiológicas que ocorrem, como fadiga; dificuldade para dormir, instabilidade emocional e diminuição da libido.

É importante diagnosticar adequadamente este quadro, pois a depressão pós-parto pode trazer diversos riscos para a mãe e o bebe, como: prejuízo do seguimento pré-natal, uso de substâncias psicoativas, estresse marital, prejuízo na relação mãe-bebe com piora nos cuidados maternos e a mais grave de todas, risco de suicídio ou infanticídio,

Transtorno Depressivo Recorrente

Aproximadamente 50% das pessoas que sofrem de um episódio depressivo, voltaram a apresentar depressão em diversos outros episódios. Quando a pessoa apresenta mais de um episódio de depressão ao longo da vida, há o diagnóstico de depressão recorrente. Quanto maior o número de episódios de depressão, maiores são as chances de voltar a apresentá-los no futuro. O que reforça a importância do tratamento para evitar novos episódios e para a manutenção dos ganhos terapêuticos.

Depressão Crônica

Para algumas pessoas a depressão é de longa duração. Isto pode ser consequência de tratamentos incompletos ou planejados inadequadamente, ou da gravidade da doença e de problemas interpessoais relacionados.

A correta identificação dos sintomas e o diagnóstico correto contribuem para um melhor planejamento do tratamento, possibilitando melhores resultados e uma abordagem mais efetiva do problema.

 

Fonte: Depressão -Causas e Tratamento. Aaron T. Beck. Ed Artmed
                  Depressão: Teoria e Clínica. João Quevedo. Ed. Artmed
                  Psicoterapias: Abordagens Atuais. Aristides V. Cordioli. Ed. Artmed